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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Xadrez Eleitoral

Aquela porra de jogo de xadrez é meio chato mesmo. Eleição também é um saco. Então resolvi promover algumas alterações para que o jogo fique mais parecido com a política, em homenagem às eleições. Não que o jogo vá passar a ser legal por isso, mas pelo menos seria reunir duas atividades de natureza escrota em apenas uma.
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Vamos lá.











Rainha: já que vamos ter uma mulher eleita, o objetivo será comer a rainha. Você pode até pensar: “Tá louco, comer a Dilma?” Pode parar de palhaçada. Conheço gente que já comeu coisa pior e pagando. E nunca ninguém falou que xadrez é fácil. É foda de ganhar! Então para isso, tem que ser um objetivo difícil. A rainha passa a se chamar Presidente.
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Rei: Essa peça será extinta. Na verdade, ele tá dentro da barriga da Rainha, por isso não aparece no tabuleiro.

Bispos: Na nova regra, o bispo muda o nome para pastor e cada peça que ele come leva mais 10% das suas peças. Caso você não goste, pode manter o Bispo, mas ele só pode comer os peões, que, neste caso, passarão a se chamar “crianças”.
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Cavalo: Agora o nome desta peça é burro. Acha que sabe pra caralho, mas a única coisa que faz direito é passar por cima dos outros. De vez em quando dão uns coices. Até dão uns passos pra frente, mas nunca sem dar um pro lado. No jogo tem quatro. Eurico Miranda e Netinho de Paula são sugestões de nomes para as peças.
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Torres: Essas são as peças cujos nomes são mantidos. Até porque, em Brasília tem duas “torres” e seria bem divertido derrubá-las. Não é preciso fazê-lo com um avião. Mas tem que derrubar. Como o nome diz, “torre” é algo que não deveria se movimentar. Vamos deixar a torre se movimentar no jogo, mas sua locomoção será restrita a duas casas e, por este motivo, sugiro colocar o nome das torres de políticos que já andaram pelas duas casas (Senado e Câmara). Sarney é um bom nome para quem acha que a torre nunca vai cair.
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Peões: Ah, esses aí representam o povo. Continua progredindo bem devagar. Qualquer das outras peças o come com facilidade. Mas na nova regra, peão só come peão. Ou você já viu um peão comer alguém da outra “casta”?
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Agora, boa diversão!











quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O trabalho de Al Gore: preservar o meio ambiente é uma questão de opinião?

Fazendo um trabalho, assisti um vídeo sobre uma palestra de Al Gore, de 2008. O vídeo é fantástico, passei a gostar mais ainda dele. 
Al Gore mostra no vídeo o quanto é  nteligente, com senso de humor e motivado. Aliás, sua motivação é contagiante, daquelas de discurso do Presidente dos EUA minutos antes do meteoro colidir com a Terra, sabe? Só faltava aquela musiquinha de fundo do Armagedon. Al Gore falava sobre o aquecimento global e a crise climática. Sei que Al Gore exagera em algumas previsões. Mas não entendo como pode Al Gore e outros ativistas serem considerados “polêmicos”, como se fosse uma questão de dois lados. Aliás que história é essa de meio ambiente ser assunto polêmico? Como assim?
No meu tempo, as geleiras derretiam ou não derretiam, animais morriam ou não morriam, a camada de ozônio se destruía ou não se destruía. São fatos, não são idéias a serem discutidas. Lógico, previsões de quando o mundo vai queimar podem gerar opiniões divergentes. Mas o fato de que as nossas ações estão transformando o mundo está aí, quer queiramos ou não. O que não posso aceitar é que, a partir das divergências sobre prazos que nós temos, se tome tudo por uma grande teoria da conspiração, como li em vários blogs na internet. Cheguei a ler um comentário assombroso mais ou menos assim: “Não acreditem neles (nos ativistas)! Gás carbônico é vida! Eles lutam contra a emissão de gás carbônico para nos matar, para nos escravizar!” Meu Deus! O que essa pessoa anda lendo?
Realmente, é bem grande o grupo que acredita que o aquecimento global não existe. Tudo bem que a coisa pode não ser tão assustadora como os ativistas divulgam , mas é impossível viver com a idéia de que continuar jogando lixo nos córregos, ou nos lixões a céu aberto não afeta nada. Que o aumento do número de carros não influencia a pureza do ar. Que podemos continuar desmatando, jogando lixo por aí, desperdiçando energia elétrica, etc., numa boa, pois a natureza se renova sozinha. Só em desenho animado.
Vou tentar resumidamente contar o que vi no vídeo. Tarefa difícil, pois são 30 minutos de idéias intrigantes, que no mínimo farão pensar. A mim, não fez pensar somente sobre o meio ambiente, mas como brasileira, sobre nossa consciência e sentimento de coletividade diante de várias questões do nosso país. Al Gore diz que não basta mudar nosso comportamento diário no sentido de trocar lâmpada comum por econômica, separar o lixo, usar painéis solares, etc. Mas mais importante que isso, precisamos mudar nosso comportamento para adquirir consciência de democracia
E para mim, ele tocou no centro da questão, pois este é o foco do início da mudança no nosso planeta. Al Gore quis dizer que precisamos ter vivo, dentro de nós, o conceito da democracia, tudo que ela realmente nos permite fazer, e aplicar isso no nosso dia-a-dia. Pois é a democracia que permite que não fiquemos calados diante dos problemas ambientais, nem diante de nenhum direito que queiramos defender. É por causa da existência da democracia que podemos abrir a boca e exigir dos governantes uma atitude. Exigir que invistam em energias renováveis, que aumentem os impostos e a fiscalização sobre empresas poluidoras.
Além disso, Al Gore, lá em 2008, fala sobre uma medida arrojada: a instituição de impostos sobre a emissão de CO2, idéia que só começa a ser encarada pela França em 2009, e, pelo que li, até agora está dando trabalho para ser efetivamente aplicada naquele país, (se eu estiver errada me corrijam, por favor). Mas Al Gore sugere mais: que esse imposto substitua outro, como os encargos trabalhistas, por exemplo, aliviando a carga tributária na contratação, gerando portanto mais empregos (olha que cara fantástico). Sim até porque, se você só aumenta os tributos e não compensa por outros, torna a luta ambiental antipática e com uma imagem oportunista (como é o caso da França por exemplo, mas isso é assunto para outro post). Aqui no Brasil, só a criação do imposto sem compensação por outro nem preciso dizer no que daria né.
Al Gore mostra em slides dados impressionantes sobre a transformação do mundo nesses últimos anos (derretimento da área das geleiras na calota polar do hemisfério norte, diminuição da área da vegetação na Bolívia e outros dados). Finaliza dizendo que somos a geração que tem a missão de salvar o meio ambiente, e devemos nos orgulhar disso. Acrescenta dizendo: “não me venham com essa de que não é possível fazer isso. Com recursos aplicados em uma semana de Guerra no Iraque, poderíamos colocar o mundo no caminho para solucionar esse problema.” Nossa...
Terminei de assistir o vídeo me sentindo cheia de disposição para levantar da cadeira e agir. E o que fazer? Como diz Al Gore em sua palestra, temos uma grande ferramenta de motivação nas mãos. A comunicação. Se usarmos a internet para exigir vontade política do governo federal, dos líderes mundiais, para tomar medidas efetivas para a preservação do meio ambiente, muita coisa pode ser feita. E não só a internet, mas todos os meios de comunicação. Com relação à TV, a MTV desempenha um trabalho fantástico de conscientização. Independentemente do momento que o país atravessa, ela sempre tem na programação propagandas sobre meio ambiente.
Vamos divulgar o que é bom, divulgar as boas propagandas sobre defesa do meio ambiente e até usar nossa criatividade para criarmos nossas próprias bandeiras pelo meio ambiente. Quem sabe um criativo hashtag no Twitter?
P.S.: o video é em inglês e logo abaixo tem a opção de legendas em 37 idiomas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Os últimos suspiros de Serra

Dando uma espiada na Folha de São Paulo, dei de cara com uma manchete que me paralisou. Li rapidamente o título: “Comitê do PT recebeu dossiê sobre a filha de Serra.”. Pensei automaticamente: “Meu Deus, foi o PT que encomendou a quebra de sigilo na Receita Federal! Não acredito!”. Entrei na notícia. Eis que leio a palhaçada da Folha: a notícia relata, depois de um primeiro parágrafo alarmante, que o tal dossiê teria sido utilizado pelo PT de São Paulo em 2005 (isso mesmo, em 2005). Naquela época, o PT usou este dossiê para tentar iniciar uma CPI na Assembléia de SP, pois o partido suspeitou que a empresa da filha de Serra estava sendo beneficiada com licitações. No fim das contas foi aberto um processo mas não deu em nada, nada ficou provado. Em suma: que tentativa mais esdrúxula foi essa da Folha de prejudicar a campanha de Dilma? Que jogada mais sacana e absurda essa de tentar colocar na mente dos leitores a sementinha da idéia: “se eles fizeram dossiê antes, podem muito bem ter quebrado o sigilo da receita federal agora”. Ainda mais que lááá no meio da reportagem, em uma linha muito discreta, acredito que colocada pelo mínimo de ética jornalística, consta: “Não há nesse lote de papéis indício de quebra de sigilo bancário ou fiscal.”
Uma reportagem grande no tamanho, grande na inutilidade e no desserviço à informação.
Esse espernear de Serra é cansativo e aborrecedor. Como bem disse o Lula, Serra se dedica no foco errado. Ao invés de trabalhar para melhorar sua campanha, trabalha para prejudicar a oponente. O povo vê que isso não pega bem. O povo está querendo mais política, mais boa política. O povo está se politizando mais, e isso é excelente.
Eu não acredito que o PT iria correr esse risco, sabotando fatalmente o governo Lula. Além do mais, não foi utilizado nenhum dado da filha de Serra na campanha de Dilma. Dilma arriscaria o pescoço para não aproveitar nada dessa quebra de sigilo?
Serra teria mais chance de prorrogar essa batalha até o segundo turno se colocasse suas forças na avaliação de si mesmo, e não de Dilma. Se direcionasse sua dedicação na mudança dessa imagem tão elitista e mauricinho, tão distante do povo (desculpem a franqueza). Se talvez, gastasse seu tempo buscando formas diferentes de mostrar ao povo que ele não representa aquele jeito do Brasil pré Lula, que ele pode ser algo novo, diferente daquela mesmice de FHC e Itamar. Se tivesse um jeito de “gente como a gente”, e não esse jeito de “não sei quantos micróbios você tem, então vou beijar minha mão que é mais seguro, ok?”
Mas e Dilma? Certamente, quase que a totalidade do carisma de Dilma vem de Lula. Dilma está longe de ganhar o lugar de Miss Simpatia no concurso de Rainha da Primavera 2010.
Mas ela está mudando, está trabalhando para conquistar esse país que só elegeu homens para a Presidência, está trabalhando para provar que vai fazer valer à pena a aposta. Além do mais, quem vai votar em Dilma, em sua grande maioria tomou essa decisão por saber que Lula estará no apoio. Lula e toda a equipe que o assessorou nesses 8 anos. E não há como negar o peso de Lula.
A simplicidade e ao mesmo tempo a grandiosidade dos momentos dele com o povo, soterrado por um mar de mãos em seu rosto. Eu me emociono, desculpem. Não é um simples trabalho desempenhado. Lula de fato conquistou o Brasil, quer a oposição queira ou não. Lula conseguiu o feito histórico de obter 79% de aprovação do seu governo no mês de agosto, final da jornada, no fechar das cortinas. Isso é um recorde, uma nova realidade. Não é papo de petista, nem papo de esquerda. É fato.

Acompanhemos as cenas do próximo capítulo. Quero muito ver a solução dessa investigação, os culpados têm que ser punidos, a quebra de sigilo da receita é um crime que coloca em cheque os valores constitucionais desse país. Enquanto isso, espero que Serra cuide mais de sua campanha, e deixe as investigações seguirem.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A adoção da escravidão para aumentar lucros: em 2010? I can't believe!

Lendo na semana passada o blog da Lola, fiquei sabendo de uma notícia chocante: As Lojas Marisa terceirizaram a produção de peças de vestuário para uma oficina de trabalho escravo em São Paulo. O post dela é excelente, e por isso resolvi me inspirar nessa pauta (atenção, é inspiração, não é plágio!), pois é fundamental divulgar essa sacanagem que as Lojas Marisa fizeram, tanto com a humanidade quanto com a economia do país.
A notícia fonte é de 17/03/2010, da Agência de notícias Repórter Brasil, ONG que trabalha com pesquisa, jornalismo social, educação, combate à escravidão e outros aspectos para a construção de uma sociedade mais justa.
A ilegalidade toda foi descoberta pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP). As Lojas Marisa somam 43 autos de infração, com passivo somando R$ 633,6 mil. Dessa bolada, R$ 394 mil se refere à sonegação de FGTS.
A fiscalização encontrou uma pequena oficina em São Paulo onde trabalhavam 16 Bolivianos e 1 peruano, trabalhando em condições de escravidão na fabricação de roupas. Foram tiradas fotos de etiquetas das Lojas Marisa no local, e localizados papéis com anotações de termos como “passagens”, “fronteira” e “documentos”. As jornadas de Trabalho iam das 7h às 21h. As Lojas Marisa já haviam assinado um Termo de Ajustamento de Conduta celebrado com o Ministério Público do Trabalho em 2007. Imagina se não tivessem assinado.
O trabalho escravo é vergonhoso. As lojas Marisa, com essa postura, além de demonstrar desumanidade, largando seres humanos à total dependência e a condições degradantes, demonstraram que não se preocupam com a economia brasileira. Há quem diga o absurdo de que a escravidão ocorre porque a legislação brasileira engessa as empresas, e que os impostos são muito altos. Dizem ainda que, bem ou mal, empregos estão sendo oferecidos e a economia está girando. Você faz idéia do tamanho do patrimônio que os proprietários das Lojas Marisa e suas famílias terão, sei lá, até sua 20ª geração? E os trabalhadores escravos ou mesmo os trabalhadores efetivados das Lojas Marisa, em sua maioria, você acha que terminarão sua vida com que patrimônio? As Lojas Marisa não teriam condições de desempenhar um papel responsável no mercado brasileiro, uma postura de referência para as empresas, como sendo um bom local para se trabalhar?Aliás, qualquer porte que as Lojas Marisa tivesse justificaria o incentivo à escravidão, que é CRIME? A Oficina investigada também produziu roupas para C&A.
O que eu posso fazer é sabotar as duas marcas e não comprar nessas lojas mais. A escravidão é inaceitável. Mas, infelizmente, não tenho como saber quais outras lojas poderiam estar adotando essa prática dark. A solução é ficar ligado, e dar uma espiada quando possível no site do Repórter Brasil. Além disso, seria uma boa aproveitar a oportunidade de refletir um pouco sobre o consumismo e uma forma de darmos um equilíbrio ao impulso de compra.
Sugiro uma visita no site da Akatu, instituto excelente, que dá dicas poderosíssimas de redução do consumo e do lixo que produzimos, através da correta conservação de alimentos. Eles dão dicas de culinária que aproveita os restos de comida, entre outros toques excelentes.
Outra idéia que achei fantástica, e está me ajudando a rever conceitos de consumo de roupas, é o desafio lançado por duas amigas americanas: usar apenas 6 peças de roupa durante um ano. A campanha se chama Six Item or Less e já está conquistando adeptos de diversos lugares do mundo. O uso de acessórios e a combinação das peças provam que não precisamos nem de 1/3 do que compramos. Lógico que não cheguei ainda neste nível de evolução, mas já acho uma vitória pensar: “eu realmente preciso disso?” antes de entrar feito uma desvairada na loja só pelo cartaz que diz: “LIQUIDAÇÃO”. Faz bem para o mundo e para o meu bolso. Consumo: é um bom tema para um próximo post!