-->
Idéias no Tom é um conjunto de visões e impressões, que transitam em muitas mídias. Os textos são fruto de valiosas pesquisas realizadas pelos nossos colaboradores, que buscam unica e exclusivamente divulgar informação de qualidade. Escolha a sua postagem e ligue-se no tom dessa ideia!

Fundindo Ideias!




Carregando ...
O IDÉIAS NO TOM SEGUE O CAMINHO DO COMPROMETIMENTO COM A ORIGINALIDADE , ALÉM DE ABORDAR QUESTÕES DE RELEVÂNCIA MUNDIAL E O QUE ROLA NO UNIVERSO DA BOA MÚSICA, LITERATURA E CINEMA. CADA COLABORADOR DESTE BLOG TEM INTEIRA RESPONSABILIDADE SOBRE O QUE ESCREVE.

domingo, 21 de junho de 2009

CRACK NEM PENSAR (postado no Banheiro Femino em Junho)

Não é falta de criatividade, muito menos plágio. Esse título veio de referência, a uma grande campanha que merece toda a nossa atenção e divulgação, realizada pelo grupo RBS. No site www.cracknempensar.com.br, você vê todo um trabalho de pesquisa, com os efeitos da droga, como ela age no organismo e seu poder rápido e devastador. Você fica sabendo ainda onde encontrar os grupos de apoio, como instruir os filhos e como agem as pessoas que se tornam dependentes. Além, disso, no link “notícias” estão alguns depoimentos dramáticos de familiares e amigos de usuários (veja o depoimento de uma mãe desesperada, que após ser espancada por negar dinheiro ao filho dependente, pegou um revólver para assustá-lo e fazê-lo se afastar. Infelizmente, no momento de pânico, ela acabou disparando a arma, o que o matou na hora).

O crack é uma realidade muito próxima de todos nós, nas palavras de Janete, outra mãe que perdeu o filho em um assalto realizado por dependentes do crack: “O crack não tomou conta só desta vila, tomou conta do Brasil.”

Todos devemos conhecer a realidade do crack, e não há nenhum fato relacionado a esta droga que não seja chocante. A campanha da RBS mostra a verdade, sem nenhum exagero, e deve ser divulgada ao máximo, para que a nossa geração não seja irreversivelmente marcada por essa substância que mata e destrói de forma contundente.

Segue o vídeo da campanha. Debater e conversar sobre o assunto é importantíssimo, pois conscientiza, e fortalece a prevenção, para evitar que nossos amigos, vizinhos, conhecidos, etc., entrem nessa. Aliás, o foco desse trabalho é exatamente a prevenção, pois a desintoxicação e a reversão de dependentes são estágios extremamente difíceis de serem alcançados.

Petrobrás?? Joãozinho, meu filho! (postado no Banheiro Feminino em Maio)


Joãozinho: Papai, a Petrobrás é loja de informática?

Pai: Não meu filho, acredito que é a empresa mais importante para o futuro do nosso país. Ela extrai e distribui Petróleo...mas de onde você tirou essa idéia de loja de informática?

Joãozinho: Humm...é porque li na internet: CPU é na Petrobrás!

Pai: Não meu filho...é CPI...CPI da Petrobrás. Descobriram que ela superfaturou...bem...pagou mais por um serviço do que ele valia, para várias empresas. Por isso, nossos Deputados e Senadores, inventaram a CPI, para poder descobrir onde foi parar esse dinheiro roubado, pela defesa da honestidade e da moral...o que eu to dizendo...enfim, pela vitória do bem contra o mal do Brasil!

Joãozinho: Pai! Então nossos Deputados e Senadores são como o Naruto, lutando pela vitória do bem contra o mal?

Pai: Humm...é filho, acho que pode ser isso...

Joãozinho: E então essa “CPI” é uma Super Espada que eles usam para acabar com os inimigos?

Pai: É filho, se os inimigos forem a oposição, sim, essa é uma ótima definição...

Joãozinho: Mas pai, então o Lula é o "Madara", aquele inimigo do Naruto, porque eu li que ele não quer usar a “Super Espada CPI”, e que para acabar com ela até chamou um homem chamado “PMDB” para conversar “de porta fechada”.

Pai: Não é PMDB meu filho, ele falou a portas fechadas com o Renan Calheiros, líder do partido PMDB. O Lula não queria acabar com a Super Espada CPI...ele só queria que ela não fosse usada na luta do bem contra o mal...isso...acho que agora expliquei direito...por isso ele combinou com Renan Calheiros uma forma de não deixar que a oposição, que dizer, os “inimigos” pegassem a “Super Espada CPI”...

Joãozinho: Ah então eles lutam juntos pelo bem? Ou pelo mal? Eles são amigos pai?

Pai: Quem? O Lula e o Renan Calheiros? Não meu filho, historicamente o PT e o PMDB nunca serão amigos! Nunca...é, acho que agora eles são amiguinhos sim...

Joãozinho: Mas pai, se o Lula não gosta da CPI, porque ele não destrói ela?

Pai: Quanta pergunta meu filho! Porque é mais eficiente ele reunir todos os aliados...os “amiguinhos” dele...na nave CPI...ai, essa conversa tá me deixando confuso...no controle da Super Espada CPI! Para controlar ela e garantir que não seja colocada em risco a reputação da Petrobrás...ou deles mesmos...enfim, para que a Petrobrás não seja prejudicada, porque ela é uma empresa muito importante.

Joãozinho: Ah! Sim! Isso mesmo pai, eu li que ele indicou uma lista de amiguinhos! Um dos nomes eu já ouvi falar pai, é Fernando Collor de Mello. Você conhece?

Pai: Ãh? Filho, onde você anda lendo essas coisas filho? Nem sei onde anda o Fernando Collor, depois de toda a roubalheira ele deve ter até saído do país, impossível ele ter sido eleito de novo! Me mostra esse site...humm...Senador? Não acredito...

Joãozinho: É pai, ele é Senador, e agora vai lutar junto com Lula para que a “Super Arma CPI” não funcione, assim eles salvam a Petrobrás, e eles mesmos como você disse né pai, e isso é o bem vencendo o mal no Brasil! E depois todos os amiguinhos dessa lista vão comemorar muito né pai? Aposto que vão fazer uma festa!!

Pai: Acho que sim meu filho...e irão pedir pizza...

Como não poderia deixar de ser, algumas palavras sobre Barack Obama...(Postado no Banheiro Feminino em Maio)

Esses dias, conversando com minha família sobre Darfur, comentei que me emocionei com o ato de Barack Obama, ao participar da campanha humanitária “24 horas por Darfur” (acesse: http://www.24hoursfordarfur.org/main.php). Essa campanha pretende montar um grande vídeo com os apelos de pessoas de todo o mundo pelo fim do genocídio em Darfur, região oeste do Sudão. Para isso, qualquer pessoa pode criar uma pequena gravação, com uma webcam, falando o que pensa sobre essa desumanidade e enviar pelo site já citado. Pois bem, uma das pessoas que registrou seu apelo foi o Presidente da maior potência mundial, Barack Obama. Na conversa que tive ontem, vieram à tona questionamentos que seriam feitos por muitas pessoas: se estamos falando do Presidente da maior potência mundial, por que sua única atitude com relação a esse conflito na África foi fazer um pequeno vídeo, como uma “pessoa comum”? Isso não foi uma demonstração de covardia, falta da postura enérgica que um verdadeiro líder dos Estados Unidos deveria ter? Além disso, um simples vídeo vai salvar as milhares de pessoas em situação de risco em Darfur? Dizer o que pensa sobre as atrocidades e divulgar ao mundo através da internet, irá mudar alguma coisa?
Pois eu digo que sim. Conscientização, essa é a mão que nos levará ao fim da miséria, do descaso, das desigualdades e outras realidades que barram a evolução da humanidade. Conscientização.
Barack Obama, como Presidente dos EUA, poderia sim reunir as Forças Armadas americanas e, em um grande ato imperialista, acabar com o conflito e reconstruir toda a sociedade, não só em Darfur, mas do mundo inteiro. Mas só quem hibernou nos últimos sete anos poderia achar que um bombardeio, invasão, ou talvez o enforcamento do líder de um país seria a solução (pasmem). Barack Obama fez, nesses 100 dias de governo (o que é muito pouco tempo), o melhor que poderia ter feito: mostrar claramente o que pensa. Porque para promover as mudanças é preciso primeiro conscientizar. Se isso fosse feito no Brasil, muitas melhorias seriam recebidas pelas pessoas de uma forma diferente.
Barack Obama gravou o vídeo classificando o conflito como genocídio e chamando as pessoas a fazerem o possível para ajudar Darfur. Dessa forma, ele se posicionou contra essa guerra e, clamando ajuda, demonstrou que não é “o justiceiro”, ou o único responsável por acabar com as crueldades do mundo. Todos nós somos igualmente responsáveis pelo conformismo e pela perpetuação das injustiças e desigualdades. Da mesma forma, está na mão de todos a possibilidade de transformar as coisas.
Mas como? Eu não tenho dinheiro para doar! Eu não posso me juntar a uma ONG e partir para a África!
Eu também não poderia fazer isso. Mas isso não quer dizer que estamos autorizados a sentar no sofá e ver a novela. Trabalhar na linha de frente, em uma ONG, não é o único caminho. Assim como Barack Obama, nós podemos dizer o que pensamos e com o que não concordamos, pois isso irá trazer idéias para quem ouve. É uma rede. E quando se forma uma rede de pessoas, dispostas a expressar sua opinião contrária ao que está acontecendo, surge o verdadeiro poder de transformar. Quando todos tiverem consciência da miséria e das desigualdades, não só na África (você sabia que 84% da população de Campos Lindos – TO vive na linha da pobreza? Isso são aproximadamente 6400 pessoas) a comoção pública vai surgir, e moldar uma nova “Ordem Mundial”. Isso é otimismo utópico? Não. Isso é conscientização. O pessimismo é um ótimo disfarce para a acomodação, afinal, para que votar se todo mundo é corrupto?
A voz também é uma atitude. Temos acesso a inúmeros meios de comunicação (blog, Orkut, rádio, email, etc.). O que você acha de, além de usar esses canais para se divertir, utilizá-los para falar sobre as coisas que você acha que deveriam mudar ao nosso redor? Leia, informe-se. A internet traz muitas coisas que precisamos saber (outras não). Abra os olhos para o mundo e pergunte-se por quê. Fale, discuta, conte para as pessoas que você se importa. Conscientize-se e conscientize. Faça como Barack Obama, estimule a consciência pública para que as transformações possam acontecer. Segue um vídeo do U2 (não será o último dessa banda que vou postar aqui, pois sou muito fã) em um show que aconteceu no período de governo da “mente brilhante” George W. Bush. Os tempos são outros, ainda bem, mas o que foi falado se aplica a qualquer tempo. Pois, para mudar as coisas, ninguém quer o seu dinheiro, só é preciso a sua voz.

Você já ouviu falar sobre a região de Darfur??? Leia e conheça essa outra realidade (Parte I, postado no Banheiro Feminino em Maio)


Entenda o que acontece em Darfur:

Localização: Oeste do Sudão.

Grupos em conflito: em suma, são 7 grupos rebeldes que mais se destacam, dentre outras facções. Alguns desses grupos são formados por negros nativos da região, outros por árabes. Um dos pontos complexos dessa guerra consiste nos objetivos desses grupos, que são diversos: alguns apóiam o governo. Outros (nativos da região) têm como ideal a sua queda, motivados pelo abandono e o descaso estrutural que sofreram, devido ao apoio do Governo à etnia árabe (os grupos árabes migraram para Darfur devido à seca, superpopulação, etc.). Há ainda os que estão na guerra cultivando interesses com o país vizinho (Chad) que ataca a fronteira Oeste do Sudão (ou seja, região de Darfur. Veja o Mapa para entender melhor).

O governo, liderado pelo Presidente Omar Hassan al-Bashir, apóia efetivamente a milícia Janjaweed (árabe), que na verdade não possui unidade estrutural, se resumindo em uma força anexa aos exércitos do governo, guerreando contra os grupos não-árabes. Você consegue compreender essa situação? É como se, hipoteticamente, tivéssemos no Brasil duas etnias predominantes, a dos brasileiros e dos paraguaios (ia usar os argentinos no meu exemplo, mas achei que poderia dificultar a compreensão). Os paraguaios migraram para o Brasil por problemas diversos (clima inóspito no seu país, etc.). A convivência entre as duas nacionalidades gera uma tensão, pelo nosso nacionalismo e diversos outros fatores, agravado pelo fato de o governo brasileiro favorecer (com diversas medidas governamentais) os paraguaios. Por esse motivo, os brasileiros entram em guerra contra o governo Brasileiro e os paraguaios residentes aqui. Em resposta, o governo brasileiro envia tropas do exército (com poder militar superior), para se aliarem aos paraguaios e iniciam uma limpeza étnica, chacinando todos os brasileiros do país! Junto a isso, existem grupos brasileiros que decidem se aliar ao governo, mesmo sabendo que para isso terão que matar membros da mesma etnia, e, ainda, há outros brasileiros que, quando lhes favorece, fazem guerra em favor do Uruguai (!), que no meu exemplo maluco possui uma péssima relação com o Brasil (logo, esta guerra pode lhe render alguma fatia do bolo). Essa é a gravidade da situação. A guerra em Darfur não tem meios-termos ou acordos de respeitabilidade. Não possui dois lados com ideais bem definidos. São diversos grupos, alguns lutando entre si, alguns fazendo jogo duplo, mas no quadro geral, acredito que predominam dois objetivos opostos: queda do governo e limpeza étnica. E, junto a isso, permeiam os interesses nas fronteiras com o país vizinho, além da boa e velha extração de petróleo.

Considerando que o governo apóia a milícia Janjaweed, a triste realidade é que, logicamente, ele não vai fornecer apoio e meios de sobrevivência (remédio, água, comida, abrigo) aos civis feridos, saqueados, mulheres estupradas e crianças subnutridas, pois essa situação foi provocada pelo Janjaweed. Este grupo é acusado de violar brutalmente os direitos humanos (se você quiser ver as práticas cruéis desses grupos, o YouTube está repleto de vídeos). Assim, os parcos meios de manter vivos os sobreviventes em Darfur vem do trabalho dos grupos humanitários, ONG’s vindas de diversos países. Contudo, estes grupos no mês passados foram expulsos de Darfur pelo Presidente do Sudão Omar Hassan al-Bashir, sob o pretexto de que “não seria possível garantir a segurança das ONG’s”, depois que o Tribunal Penal Internacional, em março de 2009, emitiu um mandado de prisão contra o presidente Omar Hassan al-Bashir, acusado pela prática de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade. Dessa forma, Omar extinguiu a única chance de sobrevivência de aproximadamente 2 milhões de darfunianos, homens, mulheres e crianças que vivem acampados, desabrigados, dependendo de abastecimentos de comida, água e medicamentos (continua)...